Polêmica no ENEM 2025: As questões mais difíceis.
- 23 de fev.
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O Enem 2025 já passou, mas a polêmica no ENEM 2025 é o nível da prova. Professores e especialistas analisaram os dois finais de semana de exame e o veredito é claro: tivemos uma prova imprevisível, que mesclou conceitos elementares diretos com altíssimos níveis de exigência interpretativa e histórica. Preparei um resumo das questões que mais deram dor de cabeça aos candidatos neste ano!
Ciências Humanas: O Peso da História no ENEM 2025
Na prova de Ciências Humanas, a exigência de leitura cuidadosa e aprofundamento histórico foi notável. A questão apontada como a mais polêmica de todas relatou uma expedição científica de estudantes russos à América do Sul em 1914. Embora o texto sugerisse que a viagem tinha fins lúdicos ou puramente educacionais, o gabarito surpreendeu ao exigir que o aluno a conectasse a um projeto nacionalista de caráter imperialista e colonizador. A resposta correta baseava-se nas lógicas de dominação europeia e apropriação de artefatos amparadas no darwinismo social da época.
Outro destaque fascinante foi a questão sobre a reforma eleitoral de 1881 no Brasil Império. Para acertar, era preciso saber que essa reforma instituiu a exigência de alfabetização para o direito ao voto, cortando quase 90% do eleitorado de uma só vez e mantendo a política como um privilégio elitista excludente. Esse detalhe histórico se conecta brilhantemente à posterior perseguição ao educador Paulo Freire, cujo método de alfabetização rápida de adultos ameaçava as elites políticas, visto que daria poder de voto justamente às populações mais humildes e marginalizadas.
Temas como a violação da memória coletiva (em uma questão sobre a tentativa de demolição de um trecho remanescente do Muro de Berlim) e a intensificação dos ataques contra Getúlio Vargas após o falho Atentado da Rua Tonelero também marcaram a complexidade do exame.
Linguagens: Ambiguidade e Interpretação Visual
No caderno de Linguagens, a prova manteve o padrão de cobrar interpretações profundas de textos visuais e contemporâneos. Segundo os professores, cinco questões do caderno amarelo foram as grandes "pedreiras".

A Questão 29 (prova amarela) gerou imensa polêmica ao tratar da fiscalização e vigilância sobre os corpos femininos. Ela provocou dúvidas até entre os especialistas, pois apresentava duas alternativas (A e E) como possivelmente corretas, já que o texto da autora mesclava críticas à aparência de atrizes famosas com comentários sobre sua própria imagem.
Nas questões literárias e gramaticais, detalhes minuciosos fizeram a diferença. Foi preciso interpretar a palavra "não" isolada entre parênteses como indicador ambíguo de uma solidão coletiva na função poética (Questão 28), e entender o adjetivo "brasonado" como um marco claro de privilégios de classe na cadeia produtiva açucareira (Questão 34).
Matemática e Ciências da Natureza: Desequilíbrio e Cálculos Complexos
O segundo dia de provas foi considerado, no geral, mais acessível e com enunciados mais curtos que a edição de 2024, mas sofreu críticas severas pela distribuição irregular de alguns conteúdos.
Em Física, a banca ignorou áreas clássicas como a ótica e a hidrostática para saturar a prova com testes sobre circuitos elétricos. O grande desafio foi a questão que demandou a interpretação lógica de um esquema complexo com múltiplas resistências e etapas extenuantes de cálculo.
A prova de Química, por outro lado, foi muito elogiada por ser abrangente e bem dividida. A grande pedreira foi a Questão 120, focada em equilíbrio químico inserido em uma situação contextualizada, que exigiu altíssima precisão técnica na leitura.
A temida prova de Matemática inovou ao dar um peso atípico à geometria espacial em detrimento da plana. Enquanto a questão mais fácil do dia pedia apenas uma conta de subtração envolvendo o tempo de corrida de Usain Bolt, a mais difícil (Questão 155) obrigou o candidato a realizar a manipulação simultânea de diversas informações e grandezas lógicas.
Por fim, Biologia foi tida como a disciplina mais amigável de todo o segundo dia. Totalmente focada em ecologia e processos fisiológicos básicos (como a Questão 115, a mais trabalhosa da matéria), a prova simplesmente ignorou temas de peso como a evolução e a botânica. Especialistas apontam que esse baixo nível de dificuldade biológica pode acabar prejudicando a diferenciação e o destaque de notas entre os estudantes de cursos de alta concorrência, como Medicina.
A Polêmica no ENEM 2025 já passou
Em suma, o Enem 2025 consolidou-se como uma verdadeira caixinha de surpresas. Entre temas históricos obscuros e particularidades em exatas, o exame testou não só o conteúdo de sala de aula, mas também a resiliência e a capacidade de intepretação do estudante.
E você, qual questão achou a mais impossível desta edição? Deixe seu comentário e compartilhe sua experiência!



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